Posição contraria:
Na lógica do mundo em que vivemos, onde tudo se converte em mercadoria, o corpo feminino facilmente se transforma em uma mercadoria e não podemos pensar na prostituição sem entender o contexto que levas essas mulheres a entrarem nessa profissão, que está geralmente associada a pobreza. Que a mulher em nenhum contexto é tratada de acordo com o mérito do seu trabalho, tendo sempre uma imagem atrelada ao seu gênero. Que os homens estão isentos da reprovação por se utilizar desses serviços enquanto as mulheres carregam censuras e estigmas, reforçando a diferença entre homens e mulheres.
" A questão ética levantada pela prostituição, que envolve a violação dos direitos humanos é dissolvida na vicissitude do vocabulário, substituído pela conotação “trabalhador”, que legitima a ideia superficial de uma profissão como qualquer outra. "(LEGARDINIER, 1998, p.01).
Que os projetos de lei que legitima a prostituição são um retrocesso, pois legitima a exploração do corpo e da vida dessas mulheres, pois o exercício da prostituição para a maioria das mulheres não é uma escolha, é uma condição a qual elas se sujeitam para garantir sua existência.
Posição favorável:
Uma das pautas do feminismo é a mulher ser dona do seu próprio corpo, tendo assim todos os direitos e poderes sobre ele, seja para intervenções de esterilidade, seja para aborto, ou mesmo para a liberação sexual. E é aí que o complica para mim, porque o que me passa é a ideia de que você pode dar para 10 homens por noite se você quiser tendo em vista o seu direito a sua liberdade sexual, mas se cobrar por isso nós feministas não apoiamos!!
Sobre a condição social da prostituta, no discurso de que a maioria das prostitutas aceitam esse trabalho por falta de oportunidade para exercer algum outro, eu discordo, nos muitos relatos que li percebo algo comum, elas tinha um trabalho que as pagava muito mal e no qual se sentiam exploradas (trabalhando para a casa dos outros, lavando roupa pra fora, algum trabalho insalubre) e descobriram a prostituição, seja em um momento de desespero em que perderam seus empregos, precisavam de um dinheiro extra, ou ouvindo falar de uma oportunidade de ganhar mais, e elas perceberam que valia a pena ser puta!
Monique (famosa prostituta do twitter) ela faz uma defesa clara, o trabalhador seja qual for, aluga seu tempo e sua força de trabalho, e é o que faz uma prostituta,
" Percebam: alugar seu tempo não é equivalente a alugar ou vender seu corpo, como pensam tantos/as. Quem contrata os serviços de uma prostituta não tem direito ao abuso ou à violência. Há uma diferença sensível, porém importante, entre um conceito e outro."
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É sempre muito complexo falar sobre prostituição, mas acho que é importante para o universo feminino e feminista lutar por melhores condições de vida e de trabalho para essas profissionais! Porque a puta é uma profissional autônoma ou associada e ela merece ter direitos trabalhistas e sociais como qualquer outro trabalhador autônomo ou associado.

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