sábado, 22 de junho de 2013

Os Gritos de "Vai Tomar no Cu!!" e o #SeAssumeDilma!

Preciso relatar os meus descontentamento com gritos de "vai tomar no cu", posso até ser chamada de chata, mas me incomoda politicamente esses gritos, mas homofobia se combate todo dia! E esse grito passa a ideia de ofensa a um ato comumente praticado pelos gays. Trazendo a ideia de que esse ato seria algo ruim. O que passa a ideia de que ser gay é algo ruim. Essa heteronormatividade me incomoda.

E o #SeAssumeDilma consegue ser ainda pior do que o "vai tomar no cu"!!! Porque além de homofóbico é machista! O porque do machismo:  a questão não é o por quê do questionamento da sexualidade da presidentA? mas sim, o por quê do questionamento da sexualidade de qualquer mulher que seja uma líder, que tenha muito poder, que seja forte? Na concepção do ser machista, uma MULHER não pode ser tão forte, tão importante, uma grande líder se não tiver alguma "característica masculina", bom, mas ela é mulher então o que podemos fazer para masculiniza-la?? afirmar que ela é homossexual, pelo menos assim ela vai gostar de mulher como "todo bom homem"!
Mas por que também é homofóbico? Porque você querido leitor, eleitor e cidadão não tem nada haver com a sexualidade dela. Se importar com a sexualidade dos outros é uma característica homofóbica. Se ela é ou não homossexual, caso seja, se decide ou não expor a sua sexualidade é uma opção dela! Você não pede para os héteros afirmarem a sua heterossexualidade, por que você se sente no direito de exigir que um homossexual  a afirme?

A Mídia e o "Vandalismo"

Momento globo repórter! Quem são os vândalos? Onde eles vivem? Como é seu cotidiano?

Quem são os vândalos: majoritariamente jovens homens negros.
Onde eles vivem: na periferia.
Como é seu cotidiano: sofrem muita violência da policia e muita opressão do estado.

Então vamos sair um pouco dessa bolha de classe media burguesa que vivemos e vamos entender a situação destes.
Estamos analisando um jovem que sofre preconceito por ser negro e por ser da periferia. Que sofre diariamente a opressão da polícia.  Que vê seus amigos, irmãos sendo mortos pela polícia, muitas vezes sem nenhuma razão. Só por ser um jovem negro da periferia.
 É esse cara que realmente sofre com o mau funcionamento das escolas públicas e dos hospitais. Porque a localizaçao da escola publica também faz diferença na qualidade dela, no sentido de que os professores sao alocados, os melhores, os que tem mais poder, nao querem ir para aquela escola no meio da periferia violenta, que os diretores dessas escolas acreditam pouco nesses estudantes (por favor, é uma generalização, sei que tem muita professor bom que vai pra periferia porque acha que é lá que precisam mais dele, que tem muito diretor que faz de tudo pra tentar mudar a realidade em torno da sua escola). Esse jovem mora onde o posto de saúde da sua região as vezes tem médico uma vez por semana, ou que só vai pela manhã ou só a tarde, um medico apenas. Porque os médicos também não querem ir para essas periferias mais violentas (também sei que tem muitos que praticam seu trabalho em péssimas condições para se manter ali ajudando quem realmente precisa).

E chegam as manifestações!!!!

Agora vamos pegar esse jovem super oprimido, cheio de rancor com o estado, cheio de raiva da polícia! Que atitude você espera dele???? Agora é o primeiro momento onde ele consegue se libertar dessas amarras da opressão e descontar tudo o que ele sente todos os dias no estado e na polícia! Agora é o momento de revidar tudo o que acontece com ele.
E é nessa manifestação que a classe média se une pra reclamar da sua "opressão",  sendo que prioriza e se contradiz ao oprimir os que são realmente oprimidos. A mídia faz todo o esforço de diferenciar "os verdadeiros manifestantes" desses "vândalos" que precisam mesmo é ser oprimidos! Eles precisam ser compreendidos e escutado!!!!


quarta-feira, 19 de junho de 2013

As manifestações e a misoginia.

O conservadorismo que tomou conta das manifestações me assustam. A revista Veja mudando seu editorial e se mostrando a favor, Arnaldo Jabor se manifestando a favor, isso me dá um frio na espinha sem tamanho. Eu defendo o ponto de que essa tentativa de pluralização dos anseios das manifestações é mais uma minimização do que uma real ampliação do que elas podem vir a representar. Eu venho aqui dizer que me manifesto pelos 20 centavos! Venho fazer a manifestação contra os 3,30 que se paga de tarifa em Campinas. O transporte é PUBLICO então se espera que seja acessível. R$6,60 para sair de casa, seja para a escola, para a faculdade, para o trabalho, para se divertir, não é acessível.

Mas o motivo que me traz a esse post é a misoginia que foi vista em várias da manifestações. Seja através de cartazes que desrespeitam a presidenta não pela sua capacidade, mas com comentários de gênero a chamando de vaca.
Achar que o Brasil tá acordando é tentar ignorar a luta constante de vários movimentos sociais, do movimento LGBT, do movimento negro, das feministas. É uma tentativa de desvalorizar todos esses movimentos, mas não é difícil perceber o quanto nós mulheres somos ignoradas que dentro dessa manifestação você percebe a misoginia de uma parte de seus manifestantes.



Esse tipo de afirmação possui 2 pressupostos básicos:
1o uma mulher possui um valor mercadológico, sendo vista como uma propriedade, e esse valor é barato.
2o você pode ofender ao homem ofendendo uma mulher que seja próxima, no caso a mãe, porque essa mulher é, no seu entendimento misógino, uma propriedade e ela pertence a esse homem, no caso o filho, então você o atinge ofendo a sua propriedade.